domingo, 24 de março de 2013

E poderíamos esquecer o mestre?!...

Como disse em 2012 ninguém menos do que George R. R. Martin, "somos todos seguidores de Tolkien"...
Então, este blog [pela pena do Segundo bardo], vem esclarecer a "todos os fãs revoltados" que A Biblioteca do Bardo possui seus exemplares das principais obras do gênio britânico, J. R. R. Tolkien.





















Todos valem a pena... Para ser beeeeeeeeeeeem óbvio.
Até mais.

terça-feira, 19 de março de 2013

Crônicas de Dragonlace.

As Crônicas de Dragonlance me fazem pensar nas razões da fama de algumas obras literárias, em detrimento de outras muito menos empolgantes, muito menos ricas de personagens, cenários, roteiro etc.
Não porque ela seja ruim. Ao contrário. As Crônicas são excelentes. Perfeitas? Ora! Perfeito, amigão, só O Senhor dos Anéis [embora Tolkien tenha dito em suas cartas que considerava falha a forma como a morte de Gandalf tinha sido retratada... Se Ele falou isto, quem sou eu para discordar?!], nos últimos dois séculos e O Silmarillion...

As Crônicas merecem uma boa transmigração para as telonas, faz tempo. Seria sucesso de público, garantido. Nem sei porque algum "gênio" ainda não percebeu isso e foi produzir a coisa toda... Algum dia, quem sabe [de preferência antes de eu morrer...].

Aí embaixo, as capinhas da trilogia principal da série literária de Maragerth Weis e Tracy Hickman.
Procure comprar [se piratear, não me acuse de incentivá-lo... Embora a nossa lei e nossos tribunais já tenham pacificado o entendimento de que a cópia para uso pessoal não é crime]. É leitura bárdica edificante garantida...







Os principais personagens? Aí vão eles.
Tanis [meio-elfo] e Kitiara [seu amor humano]:


A princesa élfica Laurana:


O guerreiro Caramon:


O kender [raça típica do mundo-cenário] Tasslehoff:


O honrado cavaleiro Sturm:


Este é Tracy Hickman:


Esta é Margareth Weis:


segunda-feira, 11 de março de 2013

A vida dos bardos é perigosa...

O bardo morto.
A vida dos bardos é perigosa. Para os mais sensíveis, o amor, a paixão e a sensualidade são venturosas armadilhas ou desgraçadas bênçãos. Para os menos sensíveis, a noite, seus prazeres, suas psicosferas, suas energias, seus fluidos são todo um caleidoscópio de tentações e desafios práticos para qual seja a filosofia que esposam (sabido que a quase totalidade dos bardos não é muito chegada a perquirições teóricas acerca da virtude ou da natureza das coisas... Quase sempre se riem, quando descobrem as três pilastras da deontologia de um dos pais da Filosofia nascida às margens do grande mar territorial: Uma coisa é o que ela é. Uma coisa não pode ser e não ser o que ela é, ao mesmo tempo. Uma coisa é ou não é.).
Um bardo faleceu, há três dias ou cinco. Um dos sensíveis. Compunha poemas e canções de amor e paixão. Até os infantes o adoravam. Brincava ainda nalgumas coisas de criança, é verdade, mesmo tendo mulher e filhos (durante sua vida, nosso sol vira este mundo o rodear quarenta e três vezes). Amava os amigos; brigava com eles. Amava sua mulher; tornava sua vida difícil... Até que, pelo que se conta nas tavernas, ela se cansou, não aguentou mais.
Dizem que a noite o tomou para si. A noite do mundo, a noite das tavernas, a noite de sua própria alma. A noite e suas substâncias, suas energias.
A noite o seduziu? Talvez. As dores do mundo fizeram sua parte também, esteja seguro.
Uma vez o ouvi dizer que sonhara com o pai há muito morto. O velho lhe dissera o que era a vida e lhe mostrara o além túmulo dos bem-aventurados. E o velho lhe pareceu muito bem (apesar de não estar mais vivo!). A conversa lhe deu paz, ele dizia; mudou sua visão do mundo, deste mundo e do outro, da vida e das coisas que estão nela, do que ela é feita.
Não o conheci muito, nem de perto. Nem gostava tanto assim de suas canções e poemas. Minha irmã (que não sabe quase nada de bardos) diz que ele era apenas um adulto imaturo, um homem se enganando e se perpetuando nos derradeiros andares do castelo da infância, da irresponsabilidade. Quem o saberá, agora?
A mulher desabafou, quando o corpo do amado morto desceu à cripta cerimonial, para ser posto sob a terra; queixou-se das substâncias da noite e desejou que aqueles que as tinham posto diante de seu amor reencontrassem a própria consciência... Um anseio por uma justiça onisciente qualquer, mas que carrega sementes de rancor agora tão inúteis quão perniciosas (para quem foi, como para quem ficou).
Os bardos são assim. Uma vida perigosa a nossa. Sorän... Hen'ätu... Kas'Üzi... Käs'Ïliaëlar...
O sorriso das pessoas nos parece mais bonito, quando nos lembramos delas após sua morte?...
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Texto motivado pelas vidas e mortes de "Chorão"/Charlie Brown, Renato Russo, Cazuza, Kássia Eller, Sid Barret e seus irmãos. Embora eu ache que os grandes bardos do mundo atual são Kitaro, Enya, J. M. Jarre, Vangelis, Yanni, Mike Oldfield e seus semelhantes...

domingo, 10 de março de 2013

"O Nome do Vento", de um bardo para outro.

O Primeiro bardo deste blog, sabendo que o Segundo estava sem leitura bárdica edificante [depois que terminou - em uns dois meses - os cinco livros de G. R. R. Martin/"A Sonf of Ice and Fire"], lhe indicou [primeiramente] e o presenteou [depois] com uma pérola: "O Nome do Vento".
Não se julga um livro pela capa, não é? Mas vejam só que capa:




É ou não é para adorar?
Além da capa, o livo é demais. Começa meio despretensioso, numa taverna, como começam quase todas as sessões de RPG/AD&D que se prezam [#presam]. Depois, ora depois! Depois fica ótimo: sangue, lágrimas, poemas, canções, um roteiro muito bem construído, um cenário verossímil, capítulos curtos e fáceis de ler.
Leitura bárdica edificante...
O autor é o maluco abaixo:


Olha só a alegria dele, ao ver seu livros nas estantes do mundo...
Acho que o Primeiro bardo desta casa ainda vai escrever um livro tão bom ou melhor do que o de Patrick Rothfuss. Até lá, vou lendo esse aí... Você também deveria.
Abaixo, algumas imagens dos personagens.






Saudações, desde a casa do menestrel,
O Segundo.

Canção de amor silente.


Caminhavam lado a lado, Niläium e Sä'dean'lor, bardo e clérigo, respectivamente, como a vida (e suas escolhas...) os fizera.
Visitavam uma instância agreste, junto à encosta de modesta montanha, cujas trilhas agora percorriam, no rumo de uma casa simples, onde morava uma senhora do conhecimento de Sä'dean.
O sol ardia inclemente, na abóbada em branco azulado e o zênite se insinuava para muito breve. Gotas grossas de suor escorriam de ambas as faces: a geralmente sorridente (e, naquele dia, um tanto serena) do bardo e a sempre serena (e, naquele dia, um tanto sorridente) do clérigo, enquanto, atrás deles, Sinlionïra (sacerdotisa) e Tardighän (homem de armas, embora pacífico por natureza), andavam em silêncio, igualmente sentindo o bafejo ardente do carro viajor do Incriado.
Mas, naquele segundo, Niläium não olhava para trás, para admirar (coisa de que ele não se cansava) a beleza da clériga (com foros de paladina) ou para averiguar se o jovem guerreiro (e seu amigo) estava em paz.
O bardo olhava para o tempo, como uma criança num campo de sonhos olha para um castelo de cristal, sem poder entendê-lo, duvidando mesmo da sua realidade, enquanto tenta, quase em vão, apreender seus contornos e entender a engenharia que o constituiu.
Olhava para dentro de si mesmo, para perceber o que havia acontecido com seu íntimo, em tantos anos. Pensava no humano/clérigo, no amor e na dádiva do perdão; pensava no humano/guerreiro, no esforço ininterrupto pela busca da harmonia interior; pensava na meio-elfa/clériga, nas escolhas de antes da vida carnal, nas renúncias, no trabalho.
Em seu silêncio, disse a cada um que os amava e desejou oferecer-lhes, na quietude da manhã alta, uma canção de paz e de elevação, onde a gratidão pela dádiva de conhecê-los estivesse presente, embora velada.
Mas não cantou... Não com sua voz. A alma, porém, moveu a lira imortal dos sentimentos e as vibrações de suas cordas de ouro se espraiaram ao redor dele, talvez (ele pensou, ingenuamente...) atingindo o coração de seus amigos e irmãos.
Os pássaros negros agitaram-se no mato que beirava a estrada e todos se voltaram, juntos, para mirá-los, tecendo, cada qual, sua pequena consideração de espanto...

sexta-feira, 8 de março de 2013

Você quem vai mestrar?

   Está aí uma pergunta que já me fizeram algumas vezes. Vamos jogar? Vamos! Você quem vai mestrar?
A pergunta em si não é estranha para as pessoas que vivem - e convivem, como é o caso das mães dos mestres cujas casas são, em grande parte dos grupos, as escolhidas para abrigar as sessões - com o RPG...mas ela traz, implícita, uma condição: a de responsabilidade. E digo mais, são duas as responsabilidades se você estiver mesmo interessado...
   A primeira delas é com seus amigos, de várias formas diferentes. De forma direta você é responsável pela sua diversão - afinal, é da sua imaginação que vai sair os cenários e situações que eles enfrentarão - e não pense que os jogadores não notam se você tiver um desempenho aquém do esperado: os melhores dentre eles, notam sim. Daí você diz: "Ah, que seja! Se está achando ruim, deveria mestrar no meu lugar!" - e daí eu te respondo: "Mas se havia, na sua cabeça, alguém mais apto a fazê-lo ou se é algo que não te desperta interesse, por que assumiu tal papel?"
A responsabilidade do mestre para com os jogadores, porém, vai muito além da diversão. O RPG é um jogo que simula uma realidade no lugar mais perigoso possível (fora, obviamente, a Austrália...lugar onde existe a maior probabilidade de você morrer por uma causa idiota na Terra): a imaginação alheia. O pensamento é poder. Convença seu amigo que ele é um guerreiro poderoso, e em questão de dias ele poderá estar chutando portas dentro de casa e com um comportamento mais agressivo. Algumas pessoas perdem o limite entre elas e o personagem, entre a realidade e a fantasia. Elas querem ser bravas, corajosas, destemidas... querem poder dizer o que quiser e fazer coisas aparentemente sem sentido tornarem-se feitos heroicos  Mas a forma de se fazer isto na vida real é diferente do RPG. Como mestre de jogo, cuide dos seus jogadores!
   A segunda responsabilidade é consigo mesmo, caro mestre. Tens o que é necessário para levar a tarefa adiante? Posso - na condição de mestre de jogo "emérito" - dizer-lhe que que nunca mais terás um segundo de tédio. As filas de banco, os pontos de ônibus, os minutos no banho (cuidado, podem tornar-se dezenas de minutos ou pior...) se tornarão momentos preciosos para que você enrede tramas; imagine lugares e pessoas; crie falas, objetos e criaturas. Para que seus amigos se divirtam algumas horas por semana você se divertirá a semana inteira: mexendo nas regras, fazendo fichas e moldando o seu próprio universo. O único momento que lhe faltará a diversão e no qual você duvidará se é isto mesmo que você quer para si é justamente durante a sessão, principalmente quando aquela combinação sonora que você tanto imaginou que abriria a porta quando água fosse jogada nos cristais na ordem correta vai por terra pelas mãos de seu jogador mais empolgado - e seu machado. Quando o velho que possui o mapa para uma região desconhecida no submundo é chutado para longe - e tudo que separava o mapa das mãos dos jogadores era um pão. Nestas horas você se perguntará: "Por que?" - e os mais dramáticos levantarão as mãos para o céu amaldiçoando a sorte! Se venceres estes momentos, terás toda a glória e divertimento que cabem ao mestre pelo seu trabalho.
   Porque ser jogador, caro amigo, é aceitar um papel. Ser mestre é aceitar muitos.