Amigos[as], escrevi o texto abaixo a respeito de escritores e aí me apercebi de que ele também pode ser aplicado aos mestre de jogo e ao cotidiano das suas sessões.
Quem quiser me brindar com uma análise/crítica nos comentários, por favor se sinta à vontade.
Até.
O Segundo.
O artista, mais ainda o escritor, é responsável pelas
imagens mentais que gera, na mente do espectador/leitor? Penso que sim. A
responsabilidade é dele.
Lendo o capítulo “Vinho e água” em “O Temor do Sábio” (“A
Crônica do Matador do Rei – O Segundo Dia”, de Patrick Rothfuss), nos deparamos
com cenas fortes, mas onde as piores coisas não foram ditas pelo autor: ele
deixou de lado a brutalidade comum em muitas obras que se pretendem “adultas”[1] e,
sabendo que o leitor tem sua própria inteligência e perspicácia, deixou a este
último a tarefa desnecessária de visualizar – se o quiser ou necessitar – as
atrocidades cometida pelos vilões, no capítulo em questão. Se o leitor preferir
(como a maioria das mentes sadias o farão), não cultivará os quadros mentais
dos sofrimentos que o próprio autor preferiu não narrar e ficará com “a vitória
do herói” (para simplificar).
Saber fazer isso, quando se compõe ou escreve é uma bela arte.
Saber ficar aquém da fronteira sul da natureza criminosa humana e de suas
manifestações (onde só há a crueldade e a perversão) e além da fronteira norte
da nossa ingenuidade (como se não houvesse o mal, neste mundo).
A maioria das séries televisivas[2] e
obras literárias atuais vão para o caminho mais fácil: chocar o máximo possível, pelas imagens e sons,
pela narrativa crua e sangrenta e se autodenominarem “adultas”.
O caminho mais difícil é o escolhido por Rothfuss e exige
mais inteligência e mais sensibilidade, tanto de quem escreve quanto de quem
lê.
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