quarta-feira, 24 de abril de 2013

O Mestre de jogo e o erro das narrações brutais.



Amigos[as], escrevi o texto abaixo a respeito de escritores e aí me apercebi de que ele também pode ser aplicado aos mestre de jogo e ao cotidiano das suas sessões.
Quem quiser me brindar com uma análise/crítica nos comentários, por favor se sinta à vontade.
Até.
O Segundo.


O artista, mais ainda o escritor, é responsável pelas imagens mentais que gera, na mente do espectador/leitor? Penso que sim. A responsabilidade é dele.
Lendo o capítulo “Vinho e água” em “O Temor do Sábio” (“A Crônica do Matador do Rei – O Segundo Dia”, de Patrick Rothfuss), nos deparamos com cenas fortes, mas onde as piores coisas não foram ditas pelo autor: ele deixou de lado a brutalidade comum em muitas obras que se pretendem “adultas”[1] e, sabendo que o leitor tem sua própria inteligência e perspicácia, deixou a este último a tarefa desnecessária de visualizar – se o quiser ou necessitar – as atrocidades cometida pelos vilões, no capítulo em questão. Se o leitor preferir (como a maioria das mentes sadias o farão), não cultivará os quadros mentais dos sofrimentos que o próprio autor preferiu não narrar e ficará com “a vitória do herói” (para simplificar).
Saber fazer isso, quando se compõe ou escreve é uma bela arte. Saber ficar aquém da fronteira sul da natureza criminosa humana e de suas manifestações (onde só há a crueldade e a perversão) e além da fronteira norte da nossa ingenuidade (como se não houvesse o mal, neste mundo).
A maioria das séries televisivas[2] e obras literárias atuais vão para o caminho mais fácil: chocar o máximo possível, pelas imagens e sons, pela narrativa crua e sangrenta e se autodenominarem “adultas”.
O caminho mais difícil é o escolhido por Rothfuss e exige mais inteligência e mais sensibilidade, tanto de quem escreve quanto de quem lê.



[1] O que me faz pensar em Jesus: “Não entrareis no Reino dos Céus se não vos fizerdes como as crianças”...
[2] “Jogos Mortais”, “Dexter”...

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