sábado, 13 de abril de 2013

Tréplica ao Primeiro Bardo desta casa, sobre a questão do bardo morto.

O Primeiro bardo replicou-me a fala
sobre o bardo morto em mes já findado.
E deixou bem claro, sua voz não cala
o quanto discorda do que hei falado.

Dar-lhe a vez posso e posso dizer
que, de fato, "bardo" não é todo ser,
ainda que viva de canções e noites
e que dê à pena e ao cravo açoites.

Mas me pego a ver se não é qual no jogo,
se não é como quando se acende um fogo:
no jogo há os níveis ao nosso dispor;
no fogo, os diversos graus do calor.

O bardo hora morto eu creio que era
um bardo menor, de níveis modestos.
Fazia seus truques, sem ares de presto,
mas quanta era a gente que 'inda hoje o venera!

Sincero ele era; perdido, talvez;
no fim de sua vida escravo da peste
que assola a paz e contra ela investe
deixando sua marca de fel e morbidez.

Que os deuses do tempo e da eternidade
lhe deem descanso nas doces herdades.
Que os versos que ele deixou entre nós
sejam o legado de um fim tão atroz...

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